Quando o “verdadeiro” ainda brinca com o “imaginário”

Na faixa de 0 a 6 anos, as crianças vivem um universo em que o real e o imaginário se misturam com leveza. Isso não significa que estejam mentindo significa que, ainda em desenvolvimento, a distinção entre o que é de fato e o que é fantasia está em construção.

🔍 O que a ciência mostra

  • Estudos indicam que crianças entre 3 a 6 anos ainda têm dificuldade em distinguir com segurança o que é real e o que é fantástico: por exemplo, em uma pesquisa, crianças de 4 anos identificaram muitos eventos fantasiosos como reais.
  • Outras pesquisas revelam que a habilidade para diferenciar realidade de fantasia se desenvolve sobretudo entre os 4 e os 6 anos, e depende da experiência, do contexto e do tipo de estímulo que a criança recebe.
  • Essa fase de mistura entre real e imaginário permite que a criança explore o mundo com curiosidade — mas também precisa da presença e do apoio dos adultos para dar sentido ao que está vivenciando.

✨ Por que isso importa para nós

  • Em nossa escola, valorizamos o brincar livre, a imaginação e os vínculos, com o entendimento de que a criança está em processo contínuo de desenvolvimento, de descoberta, de expressão.
  • Quando uma criança diz algo que parece “inventado”, isso pode ser simplesmente parte de seu processo de compreensão: ela experimentando formas de ver, expressar e entender o mundo.
  • Como famílias e educadores, podemos acolher essas expressões com respeito, perguntar, ouvir e ajudar a criança a nomear o que sente e pensa — ao mesmo tempo em que oferecemos experiências com vivência real, seguras e ricas em significado.

📌 Dicas práticas para acompanhar esse momento

Valorize as experiências reais: toque em plantas, sinta texturas, observe insetos, experimente os sentidos, essas interações concretizam o aprendizado e ajudam a diferenciar o mundo real do mundo da fantasia.

Use linguagem que valorize a curiosidade: “Você está imaginando…”, “Você acha que isso poderia acontecer?”, em vez de “Isso não é verdade”.

Proporcione brincadeiras que combinam realidade e imaginação, por exemplo: dramatização de situações reais, histórias a partir de vivências cotidianas, exploração da natureza, construção com materiais concretos.

Observe e converse com a criança sobre o que ela “vê”, “imagine”, “brinca” e “sente”. Essa escuta ajuda a desenvolver seu pensamento e compreensão.

Evite rotular como “mentira” aquilo que a criança expressa o diálogo é muito mais fértil do que a correção.

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