Escapes de xixi ou cocô: nem sempre há algo “errado” acontecendo — e tudo bem

Quando uma criança que já passou pelo desfralde — ou que quase chegou lá — de repente urina ou evacua fora de hora, muitos pais e educadores logo imaginam que algo de errado está acontecendo: pode haver medo, trauma, ansiedade, impulsos psicológicos… Às vezes, corre-se atrás de psicólogo ou “soluções rápidas”. Mas nem sempre o problema exige um diagnóstico ou intervenção pesada. Em muitos casos, trata-se de uma fase natural — e passageira — do desenvolvimento infantil.

✅ Por que escapes “sem querer” podem acontecer

  • Distração por brincar demais
    A rotina de brincadeiras, de correr, de explorar e de interagir no dia a dia infantil pode ser tão intensa que a criança simplesmente não sente ou ignora a vontade de ir ao banheiro. Ela está entretida, feliz… e adia o momento. Esse tipo de “preguicinha” de interromper a diversão é comum e natural, especialmente para crianças pequenas em fase de aprendizado. saugatuckpeds.com+2mnped.com.br+2
  • Controle dos esfíncteres ainda em maturação
    Embora o controle do xixi e do cocô seja esperado por volta dos 2–3 anos, cada criança tem o seu ritmo. avisala.org.br+1 Por isso, mesmo após algum progresso no desfralde, ainda pode haver “escapes” ocasionais — especialmente quando a criança está cansada, se distrai, ou quando a rotina e o contexto mudam. AVIVA+1
  • Não é culpa da criança — e castigos não ajudam
    Especialistas alertam que punir, repreender ou demonstrar desapontamento quando ocorre um escape só aumenta o estresse da criança — o que, paradoxalmente, pode atrasar ainda mais o controle. MSD Manuals+2escolaalianca.com.br+2

📚 O que dizem alguns especialistas / profissionais da área

  • A fisioterapeuta Fátima Regina Bazzuco — do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo — afirma que é importante garantir conforto no banheiro (assento, apoio para os pés, ambiente limpo) e que forçar a criança a pedir xixi ou cocô pode inibir o pedido natural. Bebe.com.br
  • A pediatra Ana Estela Fernandes Leite (do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria – SBP) e a psicóloga Silvia Maria Gonçalves (do Hospital da Criança — Rede D’Or São Luiz) explicam que resíduos de escapes não necessariamente indicam distúrbio — pode ser apenas adaptação, aprendizado, maturação aos poucos. clinicadmi.com+1

🧒 Quando pode ser apenas fase, não problema

Pode ser considerado “normal” se:

  • Os escapes são esporádicos — por exemplo, acontecem em momentos de brincadeira intensa ou distração;
  • A criança demonstra que sabe usar o banheiro, mas “esqueceu” ou preferiu continuar brincando;
  • Não há dor, sofrimento, medo ou angústia evidente — apenas pequenos episódios ocasionais em um processo gradual de maturação.

💡 Como os adultos (pais, educadores, escola) podem ajudar com calma e acolhimento

  • Perguntar “Você precisa ir ao banheiro?” regularmente — mesmo que a criança não peça espontaneamente —, especialmente a cada 2–3 horas, depois de líquidos ou refeições. escolaalianca.com.br+1
  • Fazer do banheiro um lugar confortável, com apoio para os pés da criança, assento adequado e ambiente acolhedor — para que o momento seja menos “sério” e mais natural. Bebe.com.br+1
  • Evitar broncas, expressões de desapontamento, vergonha ou nojo diante de um escape. A reação dos adultos pode influenciar a autoestima e o medo da criança, gerando mais insegurança. escolaalianca.com.br+2mnped.com.br+2
  • Valorizar, elogiar e reforçar positivamente quando a criança se lembra de ir ao banheiro ou quando consegue segurar a vontade — reforço positivo ajuda mais do que punição. Repositório UFBA+1
  • Manter paciência e sensibilidade: cada criança tem seu tempo, e forçar acelerar o processo pode causar mais regressões do que progresso. mnped.com.br+1

❤️ Uma palavra para pais e educadores: acolher & respeitar o ritmo da criança

Em muitos casos, escapes ocasionais de xixi ou cocô — especialmente em fases de brincadeira intensa, mudança de rotina ou adaptação — não significam “algo errado”. Ao contrário: podem ser apenas parte natural da trajetória de aprendizagem do corpo e da autonomia da criança. O papel da família, da escola e dos educadores é de acolhimento, paciência, empatia e apoio.

Se respeitarmos o tempo da criança, sem pressa, sem cobranças excessivas, com diálogo e segurança, ajudamos a construir autoestima, confiança e autonomia — e passamos por essa fase sem culpa, sem pressa, com respeito.

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